terça-feira, 20 de julho de 2010

AS PERIPÉCIAS DOS AMIGOS PERDIDOS

Estou escrevndo ennnquanto passo pela estrada de Araçás. Você vai percebeer - se já não percebeu - que algmas letras foram subtraídas das palavras que aqui vão escritas. Enquanto em outras, por insistência dos burascos, aparecerão envergonhadas letras que não cabem. Mas me impondo a necessidade de escrever, não posso fazer outra coisa, se não te contar um pouco da minha triste história nessa estrada.

Há cerca de três anos atrás, juntos com alguns primos e amigos, decidimos fazer uma visita a minha avó. Saímos de Salvador no final da tarde pensando que dentro de duas ou duas horas e meia estaríamos em Acajutiba. Infelizmente todos os nossos planos foram dissolvendo à medida que formos nos aproximando da bendita estrada de Araçás. Em realiiiidade, um dos meus primos, havia avisado que a pista não estava boa. Mas, outro primo, dizendo conhecer toda a estrada, nos dissuadiu a enfrentar Araçás, ou melhor, a estrada.

Todos que estavam no carro começaram a acreditar que Araçás era um grande buraco. Fomos chegando e sendo engoplidos por um, bebidos por outro, e mordidos por um terceiro. A mordida do senhor buraco foi tão grande que acabou danificando os dois pneus do mesmo lado do automóvel. Isso aconteceu em uma estrada sem iluminação, sinalização e lá pelas 19h.

Para que não fôssemos atropelados, ficamos com nossos celulares ligados, sem acesso a rede para fazer uma ligação, e deixamos o visor iluminado na esperança que de alguma forma, aquilo chamasse atenção de alguém que por ali passasse. Depois de trocarmos um dos pneus, resolvermos incumbir (obrigados pelas circunstâncias) dois de nós (eu e um dos meus primos) da responsabilidade de ir à cidade mais próxima empurrando o pneu moribundo para ajeitá-lo.

Quando começamos a rolar o pneu em busca da cidade perdida, eis que desponta na escuridão um caminhão (rimou?). O senhor que dirigia o caminhão ficou meio temeroso ao ver cinco homens próximos a um automóvel inerte, e embora tenha mais ou menos parado para nos socorrer, fazia movimentos bruscos com o caminhão como se fosse embora. Meu primo corria um pouco e parava, corria outro pouquinho e parava, na tentativa de convencer o caminhoneiro de que só queríamos arrumar o pneu.

Ficamos aliviados quando aquele corajoso senhor nos ordenou que jogássemos o pneu furado na carroceria e que dois de nós entrasse na cabine. Como tínhamos sido os designados, lá fomos nós em busca da borracharia entocada. Chegando à cidade mais próxima, que era bem distante de onde estávamos exilados (ufa). Agradecemos ao airoso caminhoneiro e pagamos ao borracheiro para resolver o problema no pneu. Enquanto o borracheiro fazia o trabalho dele, nós ficamos pensando em como voltar. Não existia táxi, nem alguma coisa que servisse de condução. Nesse momento um caminhoneiro que estava bem próximo de nós dois e ouviu parcialmente nossa conversa, se ofereceu para nos ajudar.

Após o borracheiro ter concluído o seu serviço e nós pagarmos, jogamos o pneu na carroceria do caminhão que nos levaria até nossos amigos e primos para salva-los do caminho roto.

Chegando perto do carro fomos alertados pelo caminhoneiro de que aquele lugar era muito perigoso. Ele mesmo (caminhoneiro) nos ajudou a mudar o pneu e depois sairmos daquele lugar feliz por estarmos todos vivos.

Contei essa história um pouco mais longa porque recentemente passei pela mesma estrada e os buracos continuam lá. E não são buracos novos, são da mesma época e espécie dos que encontramos há tempos atrás.

Não sei se surgiu em sua mente alguma pergunta. A verdade é que só estou aqui escrevendo esse texto porque em minha mente surgiram diversas. A principal delas: cadê os nossos governantes? Será que nunca transitaram pela estrada de Araçás – Acajutiba? Até quando teremos que correr o risco de sofrer um grave acidente naquela, como em tantas outras estradas da Bahia e do Brasil? E se houverem acidentes fatais? Quantas vidas serão perdidas até que resolvam os problemas das nossas estradas?

Se não fossem aqueles dois amigos caminhoneiros (infelizmente não lembro o nome de nenhum dos dois) o que poderia nos ter acontecido?

Estamos em época de eleição e ficaria muito mais feliz se, ao invés de ficarmos fascinados pelo dia do amigo, ficássemos atentos em como fazemos uso de uma das maiores armas que a democracia nos fornece. O voto!

4 COMENTÁRIOS AQUI:

Anônimo disse...

cadê os nossos governantes?esta é a pergunta que não quer calar.

Juliana disse...

Muito bom o que você escreveu! Fez-me lembrar de um outro buraco, contudo não o de Araçás, o de Salvador mesmo, ou melhor, um dos; o buraco, a cratera, que está ali na Av. Pinto de Aguiar, a pista da direita, sentido orla, quase não existe, os carros têm (ainda não consigo escrever sem o "chapeuzinho", sinto que escrevo errado, rsrs) que ir para a pista da esquerda (contra-mão) com a tentativa de desviarem-se do mesmo, podendo causar um acidente gravíssimo.
Confesso também que quando penso em votar sinto tanta aflição, que perco o sono, pois procuro, procuro, procuro e até hoje não encontrei um menos pior que mereça o meu voto. É em horas como essas que tenho vontade de ser porco.

THEIA disse...

Joubert meu amigo voc~e ta ficando besta com passar dos anos ? anda lendo muito conto de fadas pois so la existem governantes, estradas em bom estado de conservação , é o pais de Alice o que voc~e vive é que não é real é um paralelo do que seria comum em paises civilizados e com politicos corretos e afim de gastar honestamente o nosso dinheiro.

Anônimo disse...

Lendo o seu texto sobre política, ou melhor tudo tem política, não é?
Enfim... Lembrei que neste final de semana, especificamente no sábado à tarde, estávamos eu, minha prima e uma vizinha, em frente de casa, quando apareceram uns homens bem vestidos e um vizinho os apresentando, como se fossem celebridades, cena muito parecida com a da semena retrasada, contudo personagens diferentes. A rua onde resido quase não desce carro, esburacada, ladeirada, desgraçada! E estes homens vieram para fazer "politicagem" esta é a palavra, são candidatos. Fiquei curiosa e ouvi a conversa, eles disseram que vão jogar um asfalto aqui na rua, tirando os buracos e melhorando o visual e a acessibilidade à mesma. Mas em emlhoria de visual não vejo nada, muito pelo contrário, moradores permitindo que seus muros sejam pichados com aqueles nomes, números e quiçá frasesinhas de quinta.
Só fiquei triste por uma coisa: esqueci de pedir uma dentadura para minha tia, a coitada está precisada... Rsrs.
QUE PAÍS É ESSE, MINHA GENTE?!

 

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